Adolescentes do Estado Islâmico matam quem não souber recitar Alcorão

Fugitivos relatam terror perpetrado por combatentes nas Filipinas

Adolescentes ligados ao Estado Islâmico (EI) estariam assassinando pessoas por falharem ao recitar o Alcorão, segundo denúncias de fugitivos de cidades sitiadas pelo grupo terrorista no Sul das Filipinas. Mais de cem pessoas já foram mortas no conflito que começou na semana passada, quando grupos armados portando as bandeiras negras do EI atacaram Marawi, cidade com maior população islâmica do país.

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, decretou lei marcial na região, enviou o Exército e contratou milícias para combater o grupo, que vem atuando desde o dia 23. Este episódio de confronto entre forças do governo e combatentes fiéis ao Estado Islâmico marca a expansão do grupo terrorista para fora do Oriente Médio. Com as baixas que vem sofrendo em seu lugar de origem, o EI estaria agora focando a região do Sudeste Asiático.

Já chega a 50 mil o número de pessoas que fugiram de Marawi, e crescem os relatos do terror na região. Muitos contam que jihadistas adolescentes, a mando de comandantes na faixa dos 20 anos, estão obrigando os moradores a recitar versos do livro sagrado do Islã, e, caso estes falhem, são mortos a tiros. A cidade fica na região de Mindanao, que concentra uma população de 20 milhões de pessoas, e é palco, nas últimas décadas, de atividades de grupos islâmicos separatistas, insatisfeitos com os governos nacionais de maioria católica.

O grupo de combatentes do EI, que foi inicialmente estimado em apenas cem homens, já resistiu a oito dias de intensos ataque aéreos e combates em solo. O porta-voz do Exército, general Restituto Padilla, afirmou em anúncio oficial que não haverá trégua para o grupo terrorista.

— Nós convocamos os terroristas restantes a se renderem enquanto há tempo — afirmou Padilla. — O não rendimento, certamente significará a morte.

Cerca de 2 mil moradores de Marawi ainda estariam presos em áreas ocupadas pelos jihadistas, de acordo com o governo local. Um padre e outras 14 pessoas que foram tomadas como reféns no começo do conflito ainda não tiveram seu paradeiro descoberto. Pelo menos 19 civis já foram assassinados pelo Estado Islâmico, segundo o Exército filipino.

Fonte: O Globo