Igreja Adormecida: Um povo que honra-me apenas com os lábios – Por pastor João Abrantes

Com raríssimas exceções a igreja de Cristo Jesus dormita um sono letárgico e desmedido, como se não reconhecesse o seu Deus e tivesse esquecido as suas infindas promessas (Jo. 14:3).

Com raríssimas exceções a igreja de Cristo Jesus dormita um sono letárgico e desmedido, como se não reconhecesse o seu Deus e tivesse esquecido as suas infindas promessas (Jo. 14:3). Este é um triste episódio na história e igreja de Cristo ao longo dos séculos e do povo de Deus. Depois de apossar-se a sua terra prometida foram levados como vassalos para a Assíria e Babilônia. Os profetas predisseram

o povo de Deus que sobre sua desobediência, mas não deram crédito. Se o povo de Judá tivesse escutado às advertências do Senhor, não teria passado pelo cativeiro. Quem não obedece ao que a Palavra diz em seu coração, mais cedo ou mais tarde, poderá ser entregue às forças opressoras do inimigo de nossas almas – Satanás. Não foram poucas as vezes em que o Deus de Israel usou Seus profetas para consignar profecias de advertências ao povo desobediente e sonolento, mas, como não se importaram e continuassem a dormir, chegou o dia em que o rei Nabucodonosor veio e levou toda a nação para a Babilônia (Jr. 25:5).

Não é mera coincidência, mas estamos subsistimos fatos congêneres com a igreja do Senhor Jesus nos últimos dias, pois, Deus difundiu de sua imensa e inexaurível misericórdia sobre esta terra, abençoando seu povo e tornando abastado em tudo, mas o povo (igreja) se olvidou do seu Deus e suas promessas como fez a nação de Israel. A igreja atual está crescendo assustadoramente, mas não está havendo mudança de vida e na sociedade. Estão havendo muita adesão as igrejasmas quase nenhuma conversão, novo nascimento. A igreja tem sido lugar de entretenimento, mas não lugar de adoração a Deus e de quebrantamento de almas.

O brasil experimentou um agir de Deus como nem um outro do povo neste século passado, um mover que multiplicou em cada casa, rua, avenidas e cidade milhares de novos cristãos, levita e pregadores instigados pelo derramar e mover de uma unção de bênçãos, curas, salvação de almas, bonança e abundancia de nossa terra (Dt. 28:1-14). Segundo alguns organismos de pesquisas, somos hoje mais de 40 milhões de cristãos em solo brasileiro, todavia, apresentamos indícios claro e patentes de uma sucessão evangélica mórbida e pútrida em seus feitos e comportamentos, pois o evangelho ou boas novas de salvação prometido por muitos tornou-se um negócio rentável, e o mais devastador sem a presença da regeneração do novo homem (Jo.2:13-22).

O apóstolo Paulo disse três coisas importantes sobre o evangelho: “eu estou pronto”; “eu sou devedor”; “eu não me envergonho”. Muitos se envergonham do evangelho; outros são a vergonha do evangelho. Mas, nós, povo de Deus e igreja, não podemos nos envergonhar do evangelho, pois ele é o poder de Deus para a salvação de todo o que crê. Porém, nesta gangorra do evangelho e os escândalos, o país move-se como um ébrio tropeçando com suas entranhas ostentadas, mostrando ao mundo que naufragamos na ético, moral, política e principalmente como despenseiros das boas novas do evangelho comissionado à Igreja de Cristo.

Infelizmente, para muitos cristãos preconizar ou viver o evangelho genuíno de Cristo Jesus, com suas marcas da cruz depende de renúncia, se tornou um fardo pesadíssimo e difícil de carregar, preferindo um evangelho híbrido, mercantilista, sincrético, deformado e cheio de inversão de valores como fez o rei Jeroboão (1 Reis 12:28). Trocamos os nossos cultos por shows gospels, artistas adorados como os bezerro de ouro da babilônia e o Egito (Dt.9; Ex.32:1-2).

Uma onda de idolatria instalou-se na “igreja”, desobediência e falte de temor a Deus, tem se repetido como na história do povo Israelita. O altar de nossas igrejas tem sido profanado nesta nação e a oferta ao Senhor, desprezada, ou trocadas por animais cegos, coxos e enfermos (Ml. 1:6-9). Temos certeza de que os templos superlotam, ou se abarrotam, mas como nos dias do profeta Malaquias, mas com a finalidade quase que tão somente de adorar e servir o deus Mamon, cultivando sua velha ganância, buscando o brilho da prata, e o mais agravante “em nome do próprio Cristo Jesus”. Pior, isso inclui uma parte considerável de líderes religiosos, e levitas ou que consagraram a si mesmo, ou fundaram pseudos igrejas fantasmagóricas para disseminar suas loucas e desvairadas crenças, apoiados um uma plebe ignorantes ou coniventes (II Tm. 3:1-5), e que sem temor algum difundem um evangelho adulterado e profano, com o fulcro numa fé espúria e mesclada de ídolos babilônicos e egípcios. Todavia, sempre existiu sim, existe ainda hoje e sempre existirá um remanescente fiel a palavra de Deus que jamais se curvará a Baal ou Jezabel (I Rs. 18:22).

Aparentemente, os judeus estavam adorando e até chamando o Senhor Deus, criador dos céus e da terra de “pai”, mas não lhes estavam rendendo obediência filial (Jo.8:37-39; Rm. 9:1-8). Os mesmos pecados que causaram indignação ao profeta Neemias (Ne. 5:1-13; 7:63-65) são considerados pelo profeta Malaquias como: 1- a profanação sacerdotal, 2) um evangelho deformado sincrético e espúrio com ramificações na Babilônia e Egito, 3) negligencia ou comercialização com os dízimos, ofertas e a fé dos incautos. Beira ao ser absurda a supersticiosidade e o sincretismo maligno fomentados por uma legião enorme de falsos mestres e profetas, que se multiplicam diariamente como a praga de piolhos no Egito. A venda de indulgências gospel e objetos ritualísticos com supostos poderes miraculosos misturado ao profano e enganoso comércio e engodo de líderes endemoniados “líderes evangélicos” se propagou na casa de Deus (Mt.21:12). E isso resultou em uma mistura do um famigerado fanatismo religioso, idolatria, tornando um perverso e danoso sincretismo religioso hediondo de todos os tempos.

Um dos capítulos mais intrigante e perturbadores da Bíblia trata da visão de Ezequiel. Relata no capítulo nove desse livro esplêndido, o profeta vê seis homens convocados à presença de Deus, cada um com armas destruidoras nas mãos. Um dentre eles está vestido de linho, com um estojo de escrever à cintura. E Deus lhe diz: “Passa pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marca com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por causa de todas as abominações que se cometem no meio dela”. Aos outros Deus diz: “Passai pela cidade após ele e sem que os vossos olhos poupem e sem que vos compadeçais, matai a velhos, a moços e a virgens, crianças e a mulheres, mas a todo homem que tiver o sinal não vos chegueis…” A última nota que Deus acrescenta é terrível: “… começai pelo santuário”, Deus irá cobrar duramente destes tais líderes religiosos.

A visão é clara e a aplicabilidade é bem simples. Deus estava alarmado porque ninguém parecia importar-se que a corrupção tivesse tragado a bondade a honra e a moral do povo. Em outro trecho o profeta cita Deus: “Busquei entre eles um homem que tapasse o muro e se colocasse na brecha perante mim a favor desta terra, para que eu não a destruísse; mas a ninguém achei. Por isso eu derramarei sobre eles a minha indignação, com o fogo do meu furor os consumi; fiz cair-lhes sobre a cabeça o castigo do seu procedimento, diz o Senhor Deus” (Ez 22.30-31).


É inadmissível que alguém que se diz líderes religioso, ou qualquer outra função sacerdotal, mas que ilude, trapaceia e enganam o povo com águas da prosperidade, rosas sagradas, lascas da cruz, cigarro ungido, ou outras mercadorias promiscuas de uma fé falsa. Evidente, que essas pessoas não são melhores que os pais de santo, que fazem o mesmo em seus terreiros de rezas ou macumbas. É sabido que são piores ainda, pois se de fato os pais de santos cultuam dessa forma, talvez na sua incredulidade ou ignorância espiritual, os fazem cegos pelo deus deste século (II Co. 4:4). Se é que tem diferença, qual a existente entre um esotérico que confia no seu patuá, pé de coelho, figa, escapulário, ferradura, comigo ninguém pode, trevo de quatro folhas, e um crente que, ao invés de colocar sua fé em Cristo Jesus, recebe um “amuleto gospel” do seu “pastor” e o pendura em casa, ou o traz consigo como fonte de proteção ou protetor de sorte? Nenhuma, pelo “conhecimento” que deveriam ter os chamados “CRISTÃOS”, sem sombra de dúvida são piores ainda e haverá condenação maiores para os tais (Mt.7:22-23).

Uma das razões pela frieza, dormência, letargia ou falta de um evangelho libertador em nossas igrejas é porque muitos membros ou congregados nunca foram salvos verdadeiramente, ou nasceram de novo, inclusive seus líderes, pois vieram do Egito ou Babilônia com seus ídolos e crenças (II Tm 2:2). Uma das lições principais no livro de Juízes é que quando Deus, o grande Eu Sou, é abandonado pelo seu povo, tudo é permissível, ou seja, não há padrão moral (situação parecida com o nosso país) e cada um faz o que acha mais correto: “Naquela época não havia rei em Israel; cada um fazia o que lhe parecia certo” (17.6, NVI). Quando uma nação se esqueçe de Deus, haverá pluralismo e a ditadura do individualismo ou de grupos minoritários que invocaram liberdade para fazer qualquer coisa que bem entender como sendo legal e moral. Quando uma nação se esquece de Deus a anarquia tende a se instalar e a regra passa a ser idolatria, corrupção, violência, imoralidade sexual, feitiçarias, egoísmo, sodomismo, atrocidades e guerra (Ap. 21:8). Esse processo da erosão espiritual e da verdade divina acontece com indivíduos, famílias, pastores, igrejas e nações.

Muitas igrejas estão hoje dormindo ou adormecida (Mt.15:8; Is.29:13), sem se dar conta que este sono é maligno, perverso e danoso, pois não conseguem acordar, despertar para realidade em que vivemos; que o nosso adversário veio para matar, roubar e destruir – “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (João 10:10), e Deus na sua infinita sabedoria e misericórdia está nos alertando para este fato nos últimos dias em que antecede a volta de Jesus para buscar sua igreja. E o apelo hoje é para que acordemo-nos igreja do Senhor Jesus! Arrependam-se líderes, igrejas e povo de Deus! Deixem que o Senhor entre em suas vidas e transformem! O Senhor Jesus ama a todos, e, enquanto estivermos vivos, ainda há tempo para sermos usados para a glória de Deus. Um crente ou uma igreja espiritualmente apática darão um testemunho vergonhoso e cometerão escândalos no evangelho e em nome do Senhor e Salvador Cristo Jesus vivo e ressurreto (Ap.2:5).

 O pastor João Abrantes é pastor da Assembleia de Deus Madureira da Arse 92, em Palmas (TO).

Via: Jm Noticias