Pastor colega de George Alves diz não acreditar nele

Eufrásio Marques, da Igreja Batista Vida e Paz, também apontou a perseguição contra sua denominação após o crime

Presos e acusados do assassinato de seus filhos, os pastores George Alves e Juliana Salles eram da Igreja Batista Vida e Paz até pediram o afastamento da mesma. Um colega deles, pastor Eufrásio Marques, líder da denominação há 18 anos, falou, ao jornal Gazeta Online, sobre o relacionamento com o casal e disse que não acredita na versão contada por George sobre a tragédia que matou os meninos Kauã e Joaquim.

Ao veículo, Eufrásio, que também prestou depoimento à polícia, contou o que aconteceu no dia do incêndio e como foi sua ida à residência da família. Ele foi o responsável por receber os pertences pessoais como representante do ministério. O pastor diz, no entanto, que só falou George Alves após o culto no dia 21 de abril.

– Cheguei a conversar com George na recepção do hotel, após o culto. O estado que ele estava, eu acredito que ele falou coisa sem nexo, porque não tinha coerência. É como se ele estivesse aéreo. Ele disse que quando o fogo pegou, ele estava dormindo e não conseguiu salvar e acabou se complicando ainda mais. E se isso acaba contribuindo para o descrédito dele. O estado emocional desequilibrado que ele estava o levou a falar coisas incoerentes, sem nexo e fundamentos – contou.

Eufrásio Marques disse ainda que não chegou a ver nenhuma queimadura em George Alves no dia do culto e explicou também que não acredita na versão contada por ele.

– Eu não acredito na versão dele. Eu acho que ele mentiu. A motivação que ele teve para isso eu não tenho conhecimento. Eu acreditava que havia sido uma fatalidade, então esse caso foi tomando proporções diferenciadas depois e as investigações tomaram outro rumo, partindo para uma vertente de crime – completou.

Sobre Juliana Salles, o pastor afirmou acreditar que ela não sabia de nada principalmente por sua reação com a morte dos filhos. Eufásio Marques ressaltou que ela era uma mãe dedicada.

– Não conversei com a Juliana, mas ouvi na casa onde ela foi levada, a reação dela no quarto que era desesperadora, gritando e chorando. Eu não acho que ela foi omissa. Às vezes que eu a vi como mãe, ela era extremamente dedicada, cuidadosa. Eu nunca vi algo anormal que apontasse qualquer desvio de conduta de cuidado de mãe. Nenhuma negligência, ainda que a tenha visto em períodos curtos de permanência no mesmo ambiente, durante os retiros espirituais mensais. Eu não vi nada que desabonasse a conduta de uma mãe – destacou.

De acordo com a publicação, o líder religioso disse também que não consegue tolerar que o foco agora “parece que é a perseguição contra a igreja”. De acordo com Eufrásio Marques, não é justo que a Igreja Batista Vida e Paz seja retaliada pelo crime e apontada como uma denominação “que mata crianças e que os líderes e seus pastores são pedófilos”.

– Em momento algum o ministério apoia uma conduta como essa, um comportamento como esse, que seja de um pastor, um líder ou um membro de nossa igreja. O nosso papel é ensinar os princípios bíblicos para as pessoas. Nós não obrigamos ninguém a mudar, não incutimos na mente das pessoas que ela tem que estar alienada, que ela tem que ser uma escrava não. Nós falamos as verdades bíblicas. É opcional a pessoa aceitar viver o reino de Deus ou não. Agora, se essa pessoa vai ter um desvio de conduta, se ela vai ter um desvio de caráter, se ela vai matar alguém ou roubar alguém ou fazer qualquer tipo de delito ou crime, essa pessoa tem que ser responsabilizada pelas ações dela e não a Igreja – garantiu.

CASO
Com pouco mais de um mês de investigações, a Polícia Civil concluiu que o pastor George matou o filho Joaquim, de 3 anos, e o enteado Kauã, de 6, carbonizados. Segundo o delegado André Costa, responsável pelo caso, os meninos foram agredidos depois de serem abusados sexualmente para ficarem desacordados e não tentarem fugir do fogo.

O crime aconteceu na cidade de Linhares, no Espírito Santo. O homicídio foi motivado exatamente para esconder os abusos. O caso chocou as autoridades a ponto de o chefe da Polícia Civil, Guilherme Daré, declarar que era pior do que o da menina Isabella Nardoni, assassinada pelo pai e pela madrasta em 2008.

George Alves deve responder por duplo homicídio triplamente qualificado e duplo estupro de vulnerável. As penas máxima somadas chegam a 126 anos.

A mãe das crianças, Juliana, também foi presa acusada de saber dos abusos que os meninos sofriam.

Fonte: Pleno News